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COMO ESCREVER UMA MONOGRAFIA OU UM TCC DE FILOSOFIA

 

Somente na Grécia que a filosofia se desliga da religião e adquire existência autônoma. Como investigação das verdades racionais a filosofia tem, entre os gregos, inicialmente, uma significação muito geral. Designava toda ânsia de sabedoria, toda cultura intelectual, todo esforço do espírito para enriquecer-se de novos conhecimentos.

Heródoto, Tucídides e Xenofonte diziam que os filósofos eram os amigos da sabedoria. A filosofia é, assim, na sua origem, uma ciência universal. Compreendia ciência, não só o que hoje se conhece como tal, mas também a prática da virtude, a prudência na conduta. Ela era toda voltada para o mundo exterior.A preocupação dos primeiros sábios era elucidar a formação do mundo e o aparecimento do homem sobre a terra. Com Sócrates, desloca-se o objeto da filosofia. Do conhecimento do mundo passa a visar o conhecimento do homem. A filosofia pré-socrática havia sido essencialmente cosmológica, isto é, voltara-se exclusivamente para a realidade exterior. A filosofia de Sócrates muda de direção, torna-se psicológica, orienta-se para o homem, para a realidade interior. Com Platão a filosofia retoma o caráter de universalidade. O objeto da filosofia platônica é o ser necessário e absoluto representado pela idéia. (NUNES, 2003)

Embora rejeitando o idealismo platônico e fazendo da realidade o ponto de partida das suas especulações filosóficas, Aristóteles concorda com Platão quanto ao caráter universal da filosofia. Na concepção aristotélica, a filosofia é a ciência de tudo o que existe e compreende três ordens de conhecimento:

  • Conhecimentos teóricos, que tem como objetivo a pura especulação;
  • Conhecimentos práticos, que tem por fim dirigir a ação.
  • Conhecimentos poéticos, que tem por fim dirigir a produção. Tanto para Aristóteles, como para Platão, a filosofia, ciência dos primeiros, é, assim, ciência universal. Seu âmbito de ação é a essência da realidade.

Com os Estóicos, a filosofia conserva seu caráter de universalidade. Eles fazem convergir à filosofia para os problemas morais. Seu objetivo é pesquisar os princípios racionais da moral. Essa tendência prática da filosofia se acentua ainda mais com Epicuro que a define como uma atividade que procura a vida feliz por meio de discursos e raciocínios. Com o advento da helenística, funde-se a cultura grega com a oriental e entra em decadência o pensamento filosófico. (SILVEIRA, 2003)

Podemos assinalar certos traços comuns que permitem caracterizar o conceito de filosofia. Em primeiro lugar, o filosofo não estuda as ciências particulares por elas mesmas; seu objetivo é colher material para a construção de um sistema. Em segundo lugar, cada sistema é um esforço para conceber o homem e o universo nas suas relações mútuas, para descobrir as leis gerais que regem a natureza e o espírito. Síntese que estuda as cousas enquanto formam um conjunto harmônico e universal; sua finalidade é descobrir os princípios que dominam a vida e o mundo.

A partir dos primeiros séculos da era cristã, a filosofia passa a ser profundamente influenciada pela doutrina de Cristo. Essa influência estimuladora e salutar do cristianismo sobre a especulação filosófica explica a tendência geral da filosofia da idade média em harmonizar a razão com a fé, a filosofia com a tecnologia.

A filosofia medieval atinge a sua plenitude com S. Tomás de Aquino, que corrige e aperfeiçoa o sistema aristotélico, estabelecendo, com admirável precisão o objeto da filosofia, distinguindo-a da teologia e dando assim solução definitiva à questão das relações entre a razão e a fé. O estudo das verdades reveladas é objeto da teologia, o estudo racional do universo é da alçada da filosofia. O objeto material das duas ciências poderá por vezes ser comum, mas o aspecto sob o qual o encaram as duas ciências é diverso. (CARTOLANO, 1985)

Com Bacon e Descartes, inicia-se a filosofia moderna que se orienta em duas direções: a do empirismo e a do racionalismo. Bacon parte da experiência externa para concluir seu sistema especulativo. Descartes, ao contrário, parte da experiência da dúvida universal (penso, logo existo).

A partir do século XVII, a filosofia tende a se tornar ciência independente e autônoma. Para Locke, o objeto da filosofia deve ser a análise e a crítica do entendimento humano. A partir de Locke a filosofia é o estudo da natureza humana, análise das sensações. Com o idealismo de Kant, o conceito de filosofia crítica do conhecimento se firma de maneira absoluta. A filosofia seria a "legislação humana", volta a sua autoridade de ciência universal.

Schelling, identificando a natureza e o espírito como formas do absoluto, defende que o objeto da filosofia é "estudar a natureza no espírito e o espírito na natureza". (in DUARTE, 2000)

Enquanto os sucessores de Kant procuram universalizar a filosofia, embora conservando-a encerrada nos limites do mundo subjetivo, Reid e seus discípulos negam a possibilidade da metafísica, como ciência dos primeiros princípios, reduzindo a filosofia à psicologia. Essa redução do âmbito da filosofia, ao longo do pensamento moderno, atinge seu último grau com August Comte. A filosofia de Comte é a negação da filosofia. O postulado básico do positivismo é que só o sensível é real. Pois só o sensível pode ser conhecido. Aqui a filosofia é reduzida a simples sistematização de conhecimentos positivos, à mera classificação de ciências particulares. (APPLE, 1989)

No século XX, várias correntes filosóficas procuram reagir contra a redução do âmbito da filosofia. Movidas por uma necessidade natural da inteligência, essas correntes buscam ultrapassar o fenômeno sensível, terreno próprio da ciência, para atingirem a substância íntima das cousas. Todavia, a maioria das correntes filosófica contemporâneas não consegue superar as limitações do idealismo e do positivismo e se promover; num certo sentido, a "ressurreição" da metafísica, reduzindo a realidade ao âmbito das idéias ou negando à inteligência capacidade para penetrar na intimidade do ser.

As definições modernas são inexatas ou unilaterais, pois não se baseiam numa visão ampla e profunda da natureza das cousas, nem se inspiram na hierarquia de valores que rege o universo. A ciência tem um raio de ação muito limitado, não penetra na essência da realidade, não desvenda a natureza intima das coisas. Somente a filosofia é capaz de sondar tais mistérios.

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